Deepfake nas eleições 2026: o que o TSE mandou remover
Um vídeo em que um candidato aparece dizendo algo que nunca disse. Um áudio com a voz idêntica à de um político famoso. Uma foto montada que viraliza em minutos no WhatsApp. Nas eleições de 2026, essas montagens feitas com inteligência artificial, os chamados deepfakes, viraram um dos maiores desafios da Justiça Eleitoral e das redes sociais.
Nas últimas semanas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou retirar do ar publicações com deepfake ligadas a campanhas de lados opostos e reuniu as principais plataformas digitais para acelerar a remoção de conteúdo falso. Entenda o que diz a regra, o que já foi decidido e, principalmente, como você pode reconhecer um vídeo falso antes de compartilhar.
O que dizem as regras do TSE para a IA nas eleições
Em março de 2026, o TSE aprovou as regras para o uso de inteligência artificial na campanha. Os pontos principais são:
- Rótulo obrigatório: todo conteúdo de propaganda eleitoral criado ou alterado por IA precisa trazer um aviso claro de que foi feito com inteligência artificial.
- Janela de proibição: fica proibido publicar novos conteúdos sintéticos que alterem a imagem ou a voz de candidatos nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas depois.
- Perfis falsos: a Justiça pode determinar o banimento de perfis falsos ou automatizados que ataquem a integridade da eleição.
- Impulsionamento: as plataformas que vendem impulsionamento de conteúdo político precisam ter um campo para o anunciante declarar o uso de IA.
- Montagens íntimas: estão proibidas montagens de nudez ou de cunho sexual envolvendo candidatas e candidatos.
O que o TSE já mandou remover
As decisões atingiram conteúdos de diferentes grupos políticos, o que mostra que o problema não é de um lado só:
- O tribunal confirmou a remoção de um deepfake eleitoral feito contra o senador Flávio Bolsonaro.
- Em outubro, o presidente do TSE determinou a retirada de 20 publicações com deepfake contra a campanha do presidente Lula, compartilhadas por perfis de políticos e influenciadores.
- O tribunal também mandou retirar postagens no Instagram e no X que faziam acusações sem base factual mínima contra candidatos.
Antes do segundo turno, o TSE reuniu Meta, Google, TikTok, X e Kwai e entregou às empresas um guia com prazos e procedimentos para cumprir as ordens de remoção com mais rapidez.

Por que o deepfake preocupa tanto
As ferramentas de IA ficaram baratas e fáceis. Hoje, com poucos segundos de áudio de uma pessoa, é possível clonar a voz dela; com algumas fotos, dá para criar um vídeo convincente. O mesmo recurso usado em golpes, como o golpe da voz clonada no WhatsApp, passou a ser usado para enganar eleitores.
O maior risco está no compartilhamento rápido: quando o conteúdo é derrubado, ele muitas vezes já foi visto por milhões de pessoas.
Como identificar um vídeo ou áudio falso
- Olhe a boca e os olhos: movimentos de lábios fora de sincronia com a fala, piscadas estranhas ou rosto “liso demais” são sinais comuns.
- Repare nas bordas: cabelo, orelhas, dentes e mãos costumam sair deformados ou borrados em montagens.
- Escute com atenção: voz sem respiração, entonação robótica ou ruído de fundo que some de repente indicam áudio sintético.
- Procure o rótulo de IA: propaganda feita com IA precisa avisar. Se o vídeo é chocante e não traz aviso nem fonte, desconfie.
- Confira em veículos confiáveis: se um candidato tivesse mesmo dito algo grave, a notícia estaria em vários jornais. Busque o assunto antes de repassar.
- Não compartilhe no impulso: conteúdo feito para causar raiva ou medo é o tipo preferido de quem fabrica deepfakes.
Viu um deepfake? Denuncie
Use a opção de denúncia da própria rede social e o canal de denúncias do TSE para a propaganda irregular. Quanto mais rápido o aviso, mais rápido o conteúdo pode sair do ar.
Perguntas frequentes
Usar inteligência artificial em propaganda eleitoral é proibido?
Não. É permitido, desde que o conteúdo tenha um aviso claro de que foi feito com IA e respeite a proibição nas 72 horas antes e 24 horas depois da votação.
Quem compartilha um deepfake pode ser punido?
A Justiça Eleitoral pode mandar remover o conteúdo e responsabilizar quem produz e quem impulsiona. Por isso, o melhor é não repassar o que não puder confirmar.
As redes sociais são obrigadas a tirar o conteúdo do ar?
Sim, quando há ordem judicial. As plataformas podem ser responsabilizadas se não cumprirem as decisões da Justiça Eleitoral.
O que fica de lição
As eleições de 2026 mostraram que a inteligência artificial chegou de vez à política, para o bem e para o mal. As regras existem, mas a primeira barreira contra a desinformação continua sendo o próprio eleitor: desconfiar, conferir e só então compartilhar. Para se proteger também fora da política, veja como controlar quem usa a câmera e o microfone do seu celular.
Achou útil? Compartilhe com o grupo da família antes que o próximo vídeo falso chegue lá, e siga o @radarhoje.
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Com informações de TSE, Agência Brasil, CNN Brasil e CartaCapital.
